sexta-feira, 24 de julho de 2009

Nunca e Sempre

Chove em Campinas e é tudo tão gelado, tudo tão frio.
Sozinho me deito, a sexta-feira termina, a semana termina para mim, deixo que meus pensamentos me levem do mundo real.
Agora só resta sonhar.

***

Quando vi que ele me olhava levei um susto. Era ele afinal das contas ali me observando. Mas não senti mais nada. Não era mais como antes, eu não era mais um menino esperando por alguém que mal sabia o nome. Ele tinha envelhecido, pouco, mas seu olhar era mais profundo, seus cabelos escondiam entradas e seu sorriso não tinha mais o mesmo impacto.
Me lembrei por alguns segundos dele alguns anos antes, de como eu teria feito qualquer coisa para ser dele. Agora parecia tudo tão vago, tudo tão distante na minha memória.
Ele se aproximou e como outras vezes imaginei o que ele queria comigo.
"Quanto tempo, você está bem?".
Eu estava bem, muito melhor do que antes. Ele me convidou para um café e eu recusei.
"Ok, te ligo então, vamos combinar alguma coisa."
Por um último instante olhei para trás e o vi entrando em seu carro. Nunca mais nos veríamos, pra mim não faria diferença, não mais.

***

Agora falta algum detalhe, daqueles que só você lembra. Você sempre lembra deles. Até no fim você lembrou, até no fim. Então me diz, mesmo que seja só por dizer, nem precisa ser por mim, mas me diga sim, assim, escondido. E se você quiser diga no meu ouvido antes que eu acorde sem descobrir o detalhe que falta pra gente ser feliz. Feliz pra sempre.

Um comentário:

  1. Rapaz... estranho hein... este teu sonho me deixou com uma sensação de dèja vu... aliás, me fez lembrar uma situação que passei... se tiver curiosidade (http://tinmanbr.blogspot.com/2009/05/fragmentos-from-another-time.html)

    Abração e boa adaptação! ;-)

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